terça-feira, 30 de setembro de 2014

Feiticeiro de Oz


Sporting 0 Chelsea 1

O Sporting concedeu a primeira derrota oficial da época, num jogo onde fiquei com uma sensação agridoce.
O acre, logo à partida, pela derrota e primeira parte pouco conseguida.
O doce pela entrega e equilíbrio que a equipa proporcionou na segunda parte.

O início do jogo fez aflorar, a todos os que não estão afectados por Alzheimer, uma eliminatória de triste memória.
A auto-estrada em direcção à baliza de Patrício deve ter feito roer as unhas até ao sabugo a muitos adeptos, mas logo aos 2 minutos o guarda-redes do Sporting mostrou que esta noite iria ser destaque na Europa e que tentaria adiar ao máximo o golo adversário.
O Sporting demorou quase 45 minutos, perante uma equipa de qualidade e muito bem estruturada em campo, a perceber que do outro lado estavam seres humanos e não extra-terrestres. Demorou a perceber que também têm duas pernas e que, perante a maior disponibilidade física, teriam que dar tudo em campo.
Toda esta diferença física é mais notória quando o nosso grande motor da época passada continua com rotações de um carro a gasóleo, tanto na ocupação de espaços como de velocidade de raciocínio.
No entanto a 2ª parte trouxe um Sporting à sua imagem e grandeza.
Uma equipa sem medo, uma equipa que perdeu o respeito ao adversário e que equilibrou o jogo em todas as vertentes, mesmo que Patrício tenha continuado a destacar-se, fruto de uma defesa demasiado subida que mantinha aberta a via verde da auto-estrada.
Quando o meio-campo não tem capacidade de pressão, a defesa torna-se um alvo apetecível para jogadores com capacidade de passe e desmarcação como as demonstradas pela equipa inglesa. Se a esta capacidade juntarmos uns árbitros auxiliares que por diversas vezes se enganaram na leitura dos lances, estão reunidos todos os ingredientes para um massacre, mas parecem não ter contado com um gigante entre os postes.
O Sporting deu tudo o que tinha, e nesse “tudo” continuaram a manifestar-se fragilidades incontornáveis, como a inexperiência, uma dupla de centrais demasiado frágil e um William com um preocupante rendimento. Basta dizer que, à imagem de outros jogos, foi um dos municiadores das principais jogadas de perigo do Chelsea na primeira parte.
A vitória do Chelsea acaba por ser justa, pela número de oportunidades claras de golo que dispuseram, mas é impossível fazer esta apreciação sem referir a triste imagem da arbitragem espanhola que pudemos observar.
Mateu Lahoz, sempre com um grande sorriso no rosto, a fazer lembrar os sorrisos de Proença ou de Duarte Gomes, foi-se enganando sucessivamente para o lado inglês, tirando da cartola algumas decisões que o tornaram num verdadeiro Feiticeiro de Oz.
Termino com a ideia que, após estes 90 minutos, a barba de muitos dos nossos jogadores deve ter engrossado uns bons milímetros.
Espero que sirva de alguma coisa no futuro, a nível interno e externo.

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